Separados ideologicamente, irmãos morrem de lados opostos no Oriente Médio

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De um lado, um piloto da Força Aérea da Arábia Saudita; do outro, um homem-bomba. Separados ideologicamente, os irmãos de sangue Nasser e Zaher al-Harthi morreram no mesmo dia, na semana passada, envolvidos na mesma esfera de conflito, mas de lados completamente opostos.

Segundo a agência Saudi Press, Nasser faleceu quando seu helicóptero Apache foi abatido durante bombardeios da coalização saudita no sul do país, próximo da fronteira com o Iêmen, no último domingo. A autoria do ataque foi assumida pelo grupo conhecido como houthis.

Zaher, por sua vez, encerrou sua passagem por este mundo por terra. O homem-bomba, membro do Estado Islâmico (EI), teve sucesso em sua missão suicida em prol do grupo terrorista. Seu alvo eram tropas iraquianas da cidade de Samarra, ao norte de Bagdá. Antes de se juntar à causa do EI, dois anos atrás, ele trabalhou como enfermeiro no hospital da cidade saudita de Tabuk.

De acordo com a revista Foreing Policy, os aspirantes a homem-bomba precisam ler um manual de 100 páginas em inglês sobre sua função antes de se alistarem como voluntários e aguardar uma fila de espera. “Aqueles que se interessam precisam ter paciência”, diz o texto, que também afirma que saudistas têm mais facilidade para serem selecionados.

À repórter Anna Anronheim, do site i24news, um terceiro irmão deles admitiu que, antes de partir, Zaher teve a oportunidade de continuar na carreira como enfermeiro em outra cidade, mas sumiu sem deixar rastros para se unir ao Estado Islâmico. A triste história dos irmãos al-Harthi, aparentemente sem sentido para quem vê de longe, questiona por si só os objetivos dos eternos conflitos no Oriente Médio.

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